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Mostrando postagens de Janeiro, 2010

A boneca e a rosa [reflexão]

Apressada, entrei em um shopping center para comprar alguns presentes de última hora para o Natal. Olhei para toda aquela gente ao meu redor e me incomodei um pouco. "Ficarei aqui uma eternidade; com tantas coisas para fazer", pensei.
O Natal já havia se transformado quase em uma doença. Estava pensando em dormir enquanto durasse o Natal. Mas me apressei o máximo que pude por entre as pessoas que estavam no shopping. Entrei numa loja de brinquedos. Mais uma vez me surpreendi reclamando para mim mesma sobre os preços. Perguntei-me se os meus netos realmente brincariam com aquilo.
Parti para a seção de bonecas. Em uma esquina encontrei um menino de aproximadamente 5 anos segurando uma boneca bem cara. Estava tocando seus cabelos e a segurava com muito carinho. Não pude me conter; fiquei olhando para ele fixamente e perguntava-me para quem seria a boneca que ele segurava com tanto apreço, quando dele se aproximou uma mulher que ele chamou de tia.
O menino lhe perguntou:
"Se…

Amauri Mascaro – Formas de estipulação

Amauri Mascaro – Formas de estipulação

Amauri Mascaro Nascimento possui graduação em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1957) , especialização em Collective Bargaining pela Universith Of Wisconsin Madison (1984) , especialização em Teoria do Estado pela Universidade de São Paulo (1961) , doutorado em Direito pela Universidade de São Paulo (1972) , ensino-fundamental-primeiro-grau pelo Grupo Escolar Orozimbo Maia (1943) e ensino-medio-segundo-grau pelo Colégio Cesário Mota (1950) . Atualmente é professor titular da Universidade de São Paulo, docente da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e professor titular da Faculdades Metropolitanas Unidas. Tem experiência na área de Direito , com ênfase em Teoria do Estado. É dele o texto transcrito abaixo:

“O salário pode ser estipulado com base no tempo, na produção, na tarefa e no lucro. O salário por unidade de tempo é uma importância fixa, paga em razão do tempo que o empregado permanece à disposição do emprega…

Fernando Sabino - Na escuridão Miserável

Fernando Tavares Sabino nasceu em Belo Horizonte no dia 12 de outubro de 1923  e foi escritor e jornalista brasileiro. Durante a adolescência, foi locutor de programa de rádio e começou a colaborar regularmente com artigos, crônicas e contos em revistas da cidade, conquistando prêmios em concursos. Faleceu em sua casa em Ipanema (zona sul no Rio de Janeiro), vítima de câncer no fígado, às vésperas do 81º aniversário. A pedido, o epitáfio é o seguinte: "Aqui jaz Fernando Sabino, que nasceu homem e morreu menino."
"Eram sete horas da noite quando entrei no carro, ali no Jardim Botânico. Senti que alguém me observava, enquanto punha o motor em movimento. Voltei-me e dei com uns olhos grandes e parados como os de um bicho, a me espiar, através do vidro da janela, junto ao meio-fio. Eram de uma negrinha mirrada, raquítica, um fiapo de gente, encostada ao poste como um animalzinho, não teria mais que uns sete anos. Inclinei-me sobre o banco, abaixando o vidro: - O que foi, mi…

Fernando Pessoa - Carta a Mario Beirão

Carta de Fernando Pessoa ao amigo Mário Beirão, em 01 de Fevereiro de 1913:



"Estou actualmente atravessando uma daquelas crises a que, quando se dão na agricultura, se costuma chamar "crise de abundância".
Tenho a alma num estado de rapidez ideativa tão intenso que preciso fazer da minha atenção um caderno de apontamentos, e, ainda assim, tantas são as folhas que tenho a encher que algumas se perdem, por elas serem tantas, e outras se não podem ler depois, por com mais que muita pressa escritas. As ideias que perco causam-me uma tortura imensa, sobrevivem-se nessa tortura escuramente outras. V. dificilmente imaginará que a Rua do Arsenal, em matéria de movimento, tem sido a minha pobre cabeça. Versos ingleses, portugueses, raciocínios, temas, projectos, fragmentos de coisas que não sei o que são, cartas que não sei como começam ou acabam, relâmpagos de críticas, murmúrios de metafísicas... toda uma literatura, meu caro Mário, que vai da bruma - para a bruma - pela bruma.…

Pensamentos sobre textos

"...textos remetem a outros textos, que remetem a outros textos, e assim por diante, em histórias sem fim..."


Um livro na estante é um amigo um pouco distante.